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Dor no pé a pedalar: ardor, dormência e o que ajustar
Dor no pé ao pedalar, ardor ou pé dormente? Onde a pressão se concentra, o que fazem as sapatilhas e os tacos, e quando ir ao médico. Bike fit em Oeiras.
Resposta curta: A dor no pé ao pedalar, com ardor ou dormência na planta, associa-se à pressão na frente do pé. Nos ciclistas estudados, as zonas com mais carga foram o 1.º metatarso e o dedo grande (Sanderson, 2000). A posição do taco muda onde essa carga cai; aperto e rigidez da sapatilha somam-se. No bike fit filmo o pé a pedalar e ajusto o taco na sessão. Dormência que não passa é para o médico.
Dor no pé ao pedalar: o que pode ser?
O tipo de queixa dá a primeira pista. Aqui a investigação é escassa, por isso a tabela é o que verifico no estúdio, não um diagnóstico.
| O que sentes | Onde | O que eu verifico primeiro |
|---|---|---|
| Ardor debaixo da planta | parte da frente do pé, atrás dos dedos | aperto da sapatilha, posição do taco, rigidez da sola |
| Dedos dormentes | dedos, sobretudo no fim da saída | aperto e largura da sapatilha na zona dos dedos |
| Dor no arco ou no calcanhar | meio do pé, calcanhar | apoio do pé dentro da sapatilha, palmilha |
| Dor do lado de fora do pé | bordo externo | rotação e lado do taco |
Pé dormente no ciclismo: porque acontece?
Porque a força da pedalada passa sempre pelo mesmo ponto do pé. Em 29 ciclistas, recreativos e de competição, as estruturas que mais carga recebiam eram o 1.º metatarso e o dedo grande (Sanderson, 2000).
- O padrão foi semelhante nos dois grupos: refletia a relação entre o pé, a sapatilha e o pedal, não o treino (Sanderson, 2000).
- Sapatilhas de sola de carbono, mais rígidas, deram picos de pressão na frente do pé 18% mais altos do que as de sola de plástico (Jarboe & Quesada, 2003).
O estudo das solas foi feito a 400 W, uma carga alta. Mostra uma tendência, não o que vais sentir numa saída tranquila.
Sapatilhas de ciclismo apertadas: podem dar dormência?
Podem, e é das primeiras coisas que vejo. Uma sapatilha apertada ou estreita junta a pressão da pedalada à pressão dos lados.
- Aperta o suficiente para o calcanhar não sair, não para o pé deixar de mexer.
- Se ao fim de uma hora a sapatilha aperta mais do que no início, afrouxa um ponto.
- Experimenta meias mais finas antes de trocares de sapatilhas.
- Confirma a largura: um pé largo numa sapatilha estreita fica comprimido dos lados.
Tacos da sapatilha: a posição muda a dor no pé?
Pode mudar onde a carga cai. Mover o pé no pedal, com o taco recuado até quase meio do pé, não alterou o consumo de oxigénio em 11 ciclistas de competição (Van Sickle & Hull, 2007).
- Taco muito à frente: o apoio cai perto dos dedos.
- Taco mais atrás: o apoio passa para o meio do pé.
- Tacos diferentes nos dois pés: compara-os, sobretudo se só dói um.
E o pé não fica parado: do estático para a pedalada, aponta mais para baixo e isso muda o ângulo do joelho; em 34 ciclistas, a variação pareceu maior nos novatos (Peveler, 2012). Por isso avalio o pé a pedalar, não só parado.
Um exemplo concreto
Ciclista com ardor na planta do pé direito a partir da primeira hora, em saídas com calor. Sapatilhas novas, de sola de carbono, apertadas ao máximo. Em vídeo, o taco estava à frente da cabeça do 1.º metatarso.
Recuei o taco uns milímetros, alinhei-o com o do outro pé e confirmei a altura do selim. Pedi-lhe também para apertar menos a parte da frente da sapatilha. Saiu com a medida escrita e a indicação de testar em saídas curtas.

O que fazer hoje
- Afrouxa a parte da frente da sapatilha e mantém o calcanhar firme.
- Marca a posição dos tacos e vê se estão iguais nos dois pés.
- Nas saídas longas, mexe os dedos e levanta-te do selim de vez em quando, para aliviar o pé.
Quando isto se mede
A posição do taco e o aperto da sapatilha são o que mais muda a pressão debaixo do pé. No estúdio, em Oeiras, filmo o pé a pedalar, vejo onde está o taco em relação ao 1.º metatarso e confirmo a altura do selim depois de qualquer mudança. Ajusto na própria sessão e volto a filmar.
Um bike fit não diagnostica nem trata: dormência que não passa fora da bicicleta, dor em repouso, inchaço ou alteração de sensibilidade é para o médico.
Perguntas frequentes
Dor no pé após pedalar: é normal? Algum cansaço, sim. Ardor, dormência ou dor que dura horas depois da saída, não. Verifica o aperto da sapatilha e a posição do taco. Se a dor fica em repouso, se há inchaço ou a sensibilidade muda, vai ao médico.
Pé dormente no ciclismo: porque acontece? A pressão concentra-se na frente do pé, sobretudo na zona do 1.º metatarso e do dedo grande (Sanderson, 2000). Sapatilhas apertadas, sola rígida e taco muito à frente são o que verifico primeiro.
Qual a posição dos tacos na sapatilha? O ponto de partida habitual é o taco por baixo da cabeça do 1.º metatarso, a saliência na base do dedo grande. Daí ajusta-se pelo conforto do pé e pela linha do joelho, um passo de cada vez.
Fontes
- Sanderson DJ, Hennig EM, Black AH. The influence of cadence and power output on force application and in-shoe pressure distribution during cycling by competitive and recreational cyclists. J Sports Sci. 2000;18(3):173-81. DOI 10.1080/026404100365072 · PMID 10737268 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10737268/
- Jarboe NE, Quesada PM. The effects of cycling shoe stiffness on forefoot pressure. Foot Ankle Int. 2003;24(10):784-8. DOI 10.1177/107110070302401009 · PMID 14587994 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14587994/
- Van Sickle JR Jr, Hull ML. Is economy of competitive cyclists affected by the anterior-posterior foot position on the pedal? J Biomech. 2007;40(6):1262-7. DOI 10.1016/j.jbiomech.2006.05.026 · PMID 16901493 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16901493/
- Peveler WW, Shew B, Johnson S, Palmer TG. A kinematic comparison of alterations to knee and ankle angles from resting measures to active pedaling during a graded exercise protocol. J Strength Cond Res. 2012;26(11):3004-9. DOI 10.1519/JSC.0b013e318243fdcb · PMID 22158094 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22158094/