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Avanço e guiador na bicicleta de estrada: altura e alcance
Avanço da bicicleta de estrada e guiador: como a altura e o alcance mudam o tronco, as costas e as mãos, e por onde começar a ajustar. Oeiras, Lisboa.
Resposta curta: O avanço é a peça que liga o guiador à bicicleta: o comprimento muda o alcance; os espaçadores e o ângulo mudam a altura. Guiador mais baixo e mais afastado associou-se a mais curvatura na zona lombar (Antequera-Vique, 2023) e, em ciclistas treinados, baixar o tronco reduziu a potência máxima (Fintelman, 2015). Ajusta-se depois do selim.
Avanço da bicicleta de estrada: o que muda?
Duas coisas: o alcance, quão longe ficam as mãos, e a altura do guiador. Ajusta-se depois do selim, porque a altura e o recuo do selim já mudam a distância ao guiador.
| Ajuste | Muda | Atenção |
|---|---|---|
| Comprimento do avanço | o alcance | troca-se a peça |
| Ângulo do avanço (virado para cima ou para baixo) | a altura do guiador | virado para cima, também o aproxima |
| Espaçadores sob o avanço | a altura do guiador | limitados pelo tubo de direção |
| Avanço ajustável | altura e alcance | bom para testar antes de comprar o definitivo |
Não cortes o tubo de direção antes de teres a altura testada: depois de cortado, não volta atrás.
Guiador mais baixo: o que acontece às costas?
A coluna dobra mais. É uma associação vista em várias revisões, não uma regra para toda a gente.
- Mais flexão lombossagrada com o guiador mais baixo, numa revisão de 8 estudos (Streisfeld, 2017).
- Maior inclinação da bacia com o guiador mais baixo, em 15 estudos (Antequera-Vique, 2023).
- Mais curvatura lombar com a pega mais baixa e mais afastada, em 16 estudos (Antequera-Vique, 2023).
- Tendência para mais flexão torácica à medida que o tempo a pedalar aumenta, em 12 estudos (Antequera-Vique, 2023).
Nos ciclistas com dor lombar viu-se também menor resistência dos músculos extensores das costas (Streisfeld, 2017). A posição do guiador é a primeira coisa a medir; além dela, essa resistência também se treina.
Baixar também tem custo no esforço. Em 19 ciclistas bem treinados, todos homens, em posições de contrarrelógio, baixar o tronco reduziu a potência máxima e aumentou o consumo de oxigénio ao mesmo esforço (Fintelman, 2015).
Guiador da bicicleta de estrada: onde pôr as mãos?
Em várias pegas, e muda de pega ao longo da saída. Em 36 ciclistas experientes, as mãos em baixo (nos drops) tiveram a maior pressão na base da mão, do lado do dedo mindinho, e o punho mais esticado (Slane, 2011).
- Luvas com almofada reduziram essa pressão de 10 a 28%, um pouco mais com espuma fina (Slane, 2011).
- Pressão não é lesão: o estudo mediu pressão, não sintomas.
- Mudar de pega distribui o peso por zonas diferentes da mão.
Guiador de BTT: o que muda?
A lógica é a mesma: altura e alcance. O guiador é reto, tem uma pega só, e a posição muda com o terreno. Nas fontes que uso não há dados sobre a largura do guiador de BTT; aí decide o teste.
- Confirma a altura do guiador com o selim à altura de pedalar.
- Alinha as manetes dos travões com o antebraço.
- Testa a largura num trilho que conheces antes de cortar o guiador.
Um exemplo concreto
Pensa num ciclista com bicicleta de estrada nova, avanço de origem, que sente as mãos dormentes e a lombar ao fim de hora e meia. Primeiro confirmo a altura e o recuo do selim, porque mudam o alcance.
Depois filmo tronco e ombro nas várias pegas. Subo o guiador com um espaçador ou troco o avanço, e filmo outra vez ao mesmo ritmo. Comparo os ângulos antes e depois e escrevo no relatório a posição final.

O que fazer hoje
- Muda de pega a cada poucos minutos, sobretudo em saídas longas.
- Testa a altura com espaçadores antes de cortar o tubo de direção.
- Filma-te de lado com as mãos em cima e em baixo, e compara o tronco.
Quando isto se mede
Peso nas mãos, costas e pescoço dependem da altura e do alcance do guiador, e também da inclinação e do recuo do selim.
No estúdio, em Oeiras, meço o tronco e o ombro em vídeo nas várias pegas e ajusto o avanço e os espaçadores na própria sessão.
Formigueiro nas mãos que não passa, perda de força ou dor que desce pelo braço são para o médico, não para a chave Allen.
Perguntas frequentes
Avanço bicicleta estrada: que comprimento escolher? O que te deixa chegar às pegas com os cotovelos ligeiramente dobrados e o tronco numa inclinação que aguentas. Não há tabela fiável: decide-se depois de acertar o selim, e um avanço ajustável ajuda a testar.
Guiador bicicleta estrada: que altura? A que consegues manter a saída inteira sem dor nas costas, no pescoço ou nas mãos. Guiador mais baixo associou-se a mais flexão lombar (Streisfeld, 2017) e, em ciclistas treinados, baixar o tronco reduziu a potência máxima (Fintelman, 2015).
Avanço bicicleta ajustável vale a pena? Para testar, sim: mudas a altura e o alcance sem comprar várias peças. Depois de encontrares a posição, podes trocar por um avanço fixo com as mesmas medidas, mais leve.
Fontes
- Streisfeld GM, Bartoszek C, Creran E, Inge B, McShane MD, Johnston T. Relationship Between Body Positioning, Muscle Activity, and Spinal Kinematics in Cyclists With and Without Low Back Pain: A Systematic Review. Sports Health. 2017;9(1):75-79. DOI 10.1177/1941738116676260 · PMID 27784817 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27784817/
- Antequera-Vique JA, Oliva-Lozano JM, Muyor JM. Effects of cycling on the morphology and spinal posture in professional and recreational cyclists: a systematic review. Sports Biomech. 2023;22(4):567-596. DOI 10.1080/14763141.2022.2058990 · PMID 35440291 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35440291/
- Fintelman DM, Sterling M, Hemida H, Li FX. The effect of time trial cycling position on physiological and aerodynamic variables. J Sports Sci. 2015;33(16):1730-7. DOI 10.1080/02640414.2015.1009936 · PMID 25658151 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25658151/
- Slane J, Timmerman M, Ploeg HL, Thelen DG. The influence of glove and hand position on pressure over the ulnar nerve during cycling. Clin Biomech (Bristol). 2011;26(6):642-8. DOI 10.1016/j.clinbiomech.2011.03.003 · PMID 21458120 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21458120/