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Análise biomecânica no ciclismo: os 5 ângulos que se medem
Biomecânica no ciclismo: os cinco ângulos medidos em vídeo (joelho, anca, tronco, ombro e pé), parado vs a pedalar, e o que ainda não se sabe. Oeiras.
Resposta curta: Uma análise biomecânica no ciclismo, a que em Portugal se chama quase sempre bike fit, mede cinco ângulos em vídeo enquanto pedalas: joelho, anca, tronco, ombro e pé. O joelho é o mais estudado: 25–35° de flexão medido parado (Holmes, 1994) e 30–40° em vídeo (Ferrer-Roca, 2012). Para a anca e o ombro faltam valores de referência (Swart & Holliday, 2019).
O que é uma análise biomecânica de ciclismo?
É filmar-te a pedalar e medir os ângulos das articulações em pontos fixos da pedalada. Em Portugal pesquisa-se mais “bike fit”; o trabalho é o mesmo.
O que é preciso:
- Um rolo, para pedalares no mesmo sítio a um ritmo controlado.
- Uma câmara de lado, à altura do pedaleiro.
- Software que desenha o esqueleto sobre o vídeo e mede os ângulos.
- Alguém que saiba o que fazer com os números.
Que cinco ângulos se medem e o que dizem?
| Ângulo | Onde se lê | O que me diz |
|---|---|---|
| Joelho | pedal no ponto mais baixo | se o selim está alto, baixo ou na janela |
| Pé (tornozelo) | pedal no ponto mais baixo | se o pé compensa um selim alto |
| Anca | ponto mais fechado da pedalada | quanto o tronco fecha sobre a coxa |
| Tronco | inclinação em relação à horizontal | quanto o guiador te obriga a baixar |
| Ombro | entre o braço e o tronco | se o guiador está longe ou perto |
Só o joelho tem uma janela de referência bem estudada. Anca, ombro e cotovelo foram pouco investigados (Swart & Holliday, 2019); aí comparo o vídeo antes e depois de cada ajuste.
Ângulo do joelho no ciclismo: parado ou em vídeo?
Depende do método, e quem te dá um número tem de dizer qual usou.
- Parado, com goniómetro: 25–35° de flexão com o pedal em baixo (Holmes, 1994).
- Em vídeo, a pedalar: 30–40° (Ferrer-Roca, 2012).
- Em vídeo, por intensidade: 33–43° a ritmo baixo, 30–40° a ritmo alto (Swart & Holliday, 2019).
Porque muda: do estático para a pedalada, o pé aponta mais para baixo e a flexão do joelho aumenta; a variação parece maior nos ciclistas novatos (Peveler, 2012). É por isso que filmo, e não meço só parado.
Posição correta na bicicleta de estrada: o que diz o tronco?
Não há um ângulo de tronco “correto” publicado para amadores. Há um custo conhecido de baixar demasiado.
Em 19 ciclistas bem treinados, todos homens, em posições de contrarrelógio, baixar o tronco reduziu a potência máxima e aumentou o consumo de oxigénio e a ventilação ao mesmo esforço (Fintelman, 2015). Mais baixo é mais aerodinâmico, mas custa.
O que olho no tronco e no ombro:
- Uma inclinação que aguentas a saída inteira.
- Ombros soltos e cotovelos ligeiramente dobrados.
- Pescoço sem esforço para ver a estrada.
Biomecânica no ciclismo: o que ainda não se sabe?
Mais do que os sites de venda dão a entender. A revisão de Swart e Holliday (2019) resume as lacunas:
- Faltam valores de referência em vídeo para todas as articulações além do joelho.
- A intensidade muda os ângulos, por isso convém medir a um esforço parecido com o das tuas saídas.
- A carga de treino e a flexibilidade ainda estão por estudar na escolha da posição.
Um exemplo concreto
Pensa num ciclista de estrada que baixou o guiador para ficar mais aerodinâmico e sente o pescoço ao fim de uma hora. Filmo-o de lado e meço tronco e ombro, com as mãos em cima e em baixo no guiador.
Depois subo o guiador com um espaçador, filmo ao mesmo ritmo e comparo os dois vídeos. Se o tronco e o ombro abrirem sem o joelho sair da janela, a posição fica assim e vai para o relatório.

O que fazer hoje
- Filma-te de lado no rolo, com o telemóvel à altura do pedaleiro.
- Pausa com o pedal em baixo: a perna nunca deve ficar totalmente esticada.
- Pergunta sempre a quem te mede: “parado ou em vídeo, e a que ritmo?”
Quando isto se mede
No estúdio, em Oeiras, filmo-te no rolo a ritmos diferentes, meço os cinco ângulos e ajusto na própria sessão. Os números saem no relatório, com o método dito.
Se houver dor que irradia ou perda de força, o primeiro passo é o médico.
Perguntas frequentes
Biomecânica ciclismo: o que é? É o estudo de como o teu corpo se mexe a pedalar. Na prática, filma-se a pedalada e medem-se os ângulos do joelho, anca, tronco, ombro e pé para ajustar o selim, o guiador e os tacos.
Qual o ângulo do joelho no ciclismo? Parado, com goniómetro: 25–35° de flexão com o pedal em baixo (Holmes, 1994). Em vídeo, a pedalar: 30–40° (Ferrer-Roca, 2012). Diz sempre qual método usaste, porque os números não são os mesmos.
Qual a posição correta na bicicleta de estrada? A que consegues manter a saída inteira sem dor, com o joelho na janela e o tronco sem esforço. Baixar o tronco tem custo: em ciclistas treinados reduziu a potência máxima (Fintelman, 2015).
Fontes
- Holmes JC, Pruitt AL, Whalen NJ. Lower extremity overuse in bicycling. Clin Sports Med. 1994;13(1):187-205. PMID 8111852 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8111852/
- Ferrer-Roca V, Roig A, Galilea P, García-López J. Influence of saddle height on lower limb kinematics in well-trained cyclists: static vs. dynamic evaluation in bike fitting. J Strength Cond Res. 2012;26(11):3025-9. DOI 10.1519/JSC.0b013e318245c09d · PMID 22190163 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22190163/
- Peveler WW, Shew B, Johnson S, Palmer TG. A kinematic comparison of alterations to knee and ankle angles from resting measures to active pedaling during a graded exercise protocol. J Strength Cond Res. 2012;26(11):3004-9. DOI 10.1519/JSC.0b013e318243fdcb · PMID 22158094 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22158094/
- Swart J, Holliday W. Cycling Biomechanics Optimization—the (R)Evolution of Bicycle Fitting. Curr Sports Med Rep. 2019;18(12):490-6. DOI 10.1249/JSR.0000000000000665 · PMID 31834181 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31834181/
- Fintelman DM, Sterling M, Hemida H, Li FX. The effect of time trial cycling position on physiological and aerodynamic variables. J Sports Sci. 2015;33(16):1730-7. DOI 10.1080/02640414.2015.1009936 · PMID 25658151 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25658151/