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Mudanças da bicicleta: como usar (subida, descida, plano)

Mudanças da bicicleta: como funcionam pratos e carretos, que mudança usar a subir, a descer e no plano, e porque é que saltam. Escrito em Oeiras.

Mudanças da bicicleta, como funcionam e como usar — VTR BIKE LAB, Oeiras

Resposta curta: As mudanças da bicicleta funcionam assim: passam a corrente entre os pratos, à frente, e os carretos, atrás, para manteres uma pedalada confortável em qualquer terreno. Prato pequeno com carreto grande dá uma mudança leve, para subir. Prato grande com carreto pequeno dá uma mudança pesada, para o plano rápido e a descida. Muda antes da subida, não a meio dela.

Mudanças da bicicleta: como funciona?

Há dois comandos. Na maioria das bicicletas, o da esquerda muda os pratos e o da direita muda os carretos.

CombinaçãoSensaçãoQuando usar
Prato pequeno + carreto grandemuito levesubidas
Prato pequeno + carretos do meiolevesubida suave, arranques
Prato grande + carretos do meiomédiaplano
Prato grande + carreto pequenomuito pesadaplano rápido, descida

Os pratos dão saltos grandes de dureza; os carretos fazem o ajuste fino. Primeiro escolhe o prato para o terreno, depois afina com os carretos.

Como usar as mudanças na subida, na descida e no plano?

  • Plano: uma mudança que te deixe pedalar solto, sem forçar cada pedalada.
  • Subida: mete o prato pequeno antes de a estrada inclinar; depois sobe nos carretos à medida que a subida aperta.
  • Descida: prato grande, se pedalares; se não, deixa de pedalar e controla a velocidade com os travões.
  • Antes de parar: num semáforo ou num cruzamento, mete uma mudança leve para arrancar sem esforço.

Mudar sob muita força faz a corrente saltar e gasta a transmissão. Alivia a pressão nos pedais durante a mudança.

O que é cruzar a corrente?

É usar os extremos ao mesmo tempo: prato grande com carreto grande, ou prato pequeno com carreto pequeno. A corrente fica atravessada.

  • Mais atrito e mais ruído.
  • Mais desgaste da corrente, dos pratos e dos carretos.
  • Mais facilidade para a corrente saltar ou cair.

Quase sempre há uma combinação equivalente com a corrente mais direita.

Que mudança usar para manter a cadência?

A que te deixa pedalar sem forçar cada volta. Num estudo com 14 ciclistas de elite, 80 rpm foi a cadência mais eficiente num contrarrelógio de cerca de 30 minutos, e 60 rpm foi 3,5% mais lento (Foss & Hallén, 2005). Eram atletas de elite em laboratório, não amadores numa volta de domingo.

Para a rótula, o que pesou foi a carga e o selim: a força subiu com mais carga e com o selim mais baixo, e não mudou de forma significativa com a cadência (Ericson & Nisell, 1987). Na subida, a mudança leve serve para não forçares cada pedalada; a altura do selim mede-se.

Porque é que as mudanças saltam?

Quase sempre por uma destas razões:

  1. Cabo esticado ou desafinado.
  2. Corrente, pratos ou carretos gastos.
  3. Gancho do desviador traseiro torto, muitas vezes depois de uma queda.
  4. Mudar com muita força nos pedais.

Os dois primeiros tratam-se numa loja em pouco tempo. Depois de uma queda, leva a bicicleta ao mecânico antes da próxima saída.

Um exemplo concreto

Ciclista há pouco tempo na bicicleta de estrada, que subia sempre no prato grande, porque achava que a outra mudança “era para fracos”, e sentia a frente do joelho no fim das voltas com subidas. Como havia dor, filmei-o primeiro no rolo: o selim estava baixo e ajustei-o na sessão.

Além disso, no próprio rolo praticámos a ordem das mudanças: prato pequeno antes da subida, carretos para afinar, nunca prato pequeno com o carreto mais pequeno. Ficou de me dizer, ao fim de algumas voltas, como respondia o joelho.

Saída de treino em BTT vista do guiador, com o ciclocomputador e o mar ao fundo, numa saída do Victor Castelo Branco, do VTR BIKE LAB

Uma saída de treino minha, vista do guiador: a mudança escolhe-se antes de a estrada mudar

O que fazer hoje

  • Antes de sair, confirma qual é o comando que muda os pratos e qual muda os carretos.
  • Na próxima subida, mete a mudança leve antes de a estrada inclinar.
  • Evita prato grande com carreto grande e prato pequeno com carreto pequeno.

Quando pedir ajuda

  • Mecânico ou loja: mudanças que saltam, corrente que cai, ruídos novos, ou depois de uma queda.
  • Treinador: para trabalhar a cadência e a gestão das mudanças em grupo.
  • Medição da posição: joelho que se queixa sempre nas subidas mede-se, além de se reverem as mudanças e a carga. No estúdio filmo-te em carga e meço o joelho.

Perguntas frequentes

Que mudança usar para subir de bicicleta? Prato pequeno à frente e um carreto grande atrás. Mete-o antes de a subida começar. Em laboratório, a força na rótula subiu com a carga e com o selim baixo, não com a cadência (Ericson & Nisell, 1987); a mudança leve serve para não forçares cada pedalada.

Porque é que as mudanças da bicicleta saltam? As causas mais comuns são o cabo desafinado, a transmissão gasta, o gancho do desviador torto depois de uma queda e mudar com muita força nos pedais. As duas primeiras tratam-se numa loja.

Como afinar as mudanças da bicicleta? Um ajuste fino na tensão do cabo trata muitos casos, mas exige saber o que se está a fazer. Se nunca o fizeste, leva a bicicleta a um mecânico e pede-lhe para te mostrar. Depois de uma queda, é sempre o mecânico.

Fontes

  1. Foss Ø, Hallén J. Cadence and performance in elite cyclists. Eur J Appl Physiol. 2005;93(4):453-62. DOI 10.1007/s00421-004-1226-y · PMID 15503124 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15503124/
  2. Ericson MO, Nisell R. Patellofemoral joint forces during ergometric cycling. Phys Ther. 1987;67(9):1365-9. DOI 10.1093/ptj/67.9.1365 · PMID 3628491 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3628491/

Victor Castelo Branco — bike fitter, VTR Bike Lab, Rua Sacadura Cabral 23, Oeiras (Lisboa). Meço os cinco ângulos da pedalada em vídeo — joelho, anca, tronco, ombro e pé — e ajusto a bicicleta na própria sessão. Quem faz o fit.